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sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

A morte de Melisandra - Neruda



A morte de Melisanda
Na sombra dos loureiros
Melisanda está morrendo.
Morrera-se o seu corpo leve.
Enterraram o seu doce corpo.
Juntaram-se suas mãos de neve.
Fecharam-se os seus olhos abertos.
De forma que se ilumine Pelleas
depois que tinha morrido.

A sombra dos loureiros
Melisanda morre em silêncio.
Por ela chorará a fonte
um canto tremendo e eterno.
Para ela rezarão os ciprestes
ajoelhando debaixo do vento.
Haverá galope de corcéis,
lunáticos latidos de cachorros.
Na sombra dos loureiros
Melisanda está morrendo

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Amar e não Amar de Neruda



Pablo Neruda

SAIBAS que não te amo e que te amo
feito de que dos dois modos é a vida,
a palavra é uma ala do silêncio,
o fogo tem uma metade de frio.
Eu te amo para começar a amar-te,
para recomeçar o infinito
e para não desejar amar-te nunca:
por isto não te amo todavia.
Te amo e não te amo como se tivera
em minhas mãos as chaves da fortuna
e um incerto destino infeliz.
Meu amor tem duas vidas para amar-te.
Por isso te amo quando não te amo
e por isso te amo quando te amo.