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sexta-feira, 26 de outubro de 2012

D'avida



D'avida (Malthus Luppus)

Dos sorrisos que te proporcionei
Lembro todos
Das lágrimas que provoquei também
Lembro da chuva caindo em nossas cabeças
Dos sussurros na escada
Do brilho de teus olhos

Lembro de dizer bom dia
De pedir para voltarmos para as cobertas
De sorrir marotamente ao te beijar
sempre tentando te tirar o folego

Sorria sempre e sempre estarei ouvindo
não importa como ou onde
sempre estarei a ouvir aquele telefone tocar na rua
ou ouvir teus passos e sentir teu cheiro
teu halito quente em mesmo pescoço

Deixemos a chuva cair
na nossa cara, no nosso corpo
deixa essa água lavar a vergonha e a dúvida
deixa ser apenas hum somando e dividindo para dois

O por do sol continua o mesmo
mas a luz da lua caindo perto do muro
ilumina teus olhos
e da janela da sala ainda vejo-te
contemplando as estrelas como se lembra-se algo mais

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Poema da Saudade




Saudades (Malthus Luppus)

Lembranças tenho muitas
Livros, discos, fotografias
Cartas, lenços e recordações
Suspiro com cada presença neles encontrada.
Com cada palavra pensada e não dita.

Saudade é coisa maluca mesmo
É um não saber
Um não saber cheio de dias compridos
De tarefas para ocupar os pensamentos
É ouvir aquela música que declaramos estar com os olhos irritados
É não saber vencer o silêncio que nada vem preencher

Poesia é coisa que cala ao coração
Sem regras e cheia de licenças, as poéticas
Faz e não faz sentido
E quando sentido faz
Dizemos que não nos traz nada para disfarçar

Vivemos sempre a crescer
Algumas vezes estancamos
Acomodamos
Mas no melhor de nossos dias
Corremos atras e seguimos desejos
E em nossos sonhos procuramos
A conversa desejada, o cheiro perdido e o coração feliz...

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Viver do Amor by Chico Buarque...


Viver do Amor
Chico Buarque

Pra se viver do amor
Há que esquecer o amor
Há que se amar
Sem amar
Sem prazer
E com despertador
- como um funcionário

Há que penar no amor
Pra se ganhar no amor
Há que apanhar
E sangrar
E suar
Como um trabalhador

Ai, o amor
Jamais foi um sonho
O amor, eu bem sei
Já provei
E é um veneno medonho

É por isso que se há de entender
Que o amor não é um ócio
E compreender
Que o amor não é um vício
O amor é sacrifício
O amor é sacerdócio
Amar
É iluminar a dor
- como um missionário

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Pessoas por Fernando Pessoa



Fernando Pessoa

Como é por dentro outra pessoa
Quem é que o saberá sonhar?
A alma de outrem é outro universo
Com que não há comunicação possível,

Com que não há verdadeiro entendimento.
Nada sabemos da alma
Senão da nossa;
As dos outros são olhares,
São gestos, são palavras,
Com a suposição de qualquer semelhança
No fundo.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Poemas de Neruda,,,


MELISANDA
Pablo Neruda

Seu corpo é uma hóstia fina, mínima e leve,
Tem os azuis dos olhos e as mãos da neve.
E o bosque das arvores parecem-se congelados,
E os pássaros que estão neles estão cansados.
Suas tranças ruivas tocam a água docemente
Como dos braços de ouro brotados da fonte.
Zumbe o vôo perdido das corujas cegas
Melisanda se põem de joelhos - e reza.
As árvores se inclinam até tocar a sua frente,
Os pássaros se mudam na tarde dolente.
Melisanda, a doce, chora junto à fonte.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Cuerpo de Mujer - By Neruda


Cuerpo de mujer...
Pablo Neruda

Cuerpo de mujer, blancas colinas, muslos blancos,
te pareces al mundo en tu actitud de entrega.
Mi cuerpo de labriego salvaje te socava
y hace saltar el hijo del fondo de la tierra.
Fui solo como un túnel. De mí huían los pájaros
y en mí la noche entraba su invasión poderosa.
Para sobrevivirme te forjé como un arma,
como una flecha en mi arco, como una piedra en mi honda.
Pero cae la hora de la venganza, y te amo.
Cuerpo de piel, de musgo, de leche ávida y firme.
¡Ah los vasos del pecho! ¡Ah los ojos de ausencia!
¡Ah las rosas del pubis! ¡Ah tu voz lenta y triste!
Cuerpo de mujer mía, persistiré en tu gracia.
Mi sed, mi ansia si límite, mi camino indeciso!
Oscuros cauces donde la sed eterna sigue,
y la fatiga sigue, y el dolor infinito.

Traduzindo para os que assim preferem!!! #Gostopratudo

Corpo de Mulher
Pablo Neruda

Corpo de mulher, brancas colinas, coxas brancas,
você olha o mundo em sua atitude de rendição.
Meu corpo camponês selvagem minará
e faz saltar o filho das profundezas da terra.
Eu era como um túnel. Pássaros fogem de mim
e em mim a noite entrava com sua invasão poderosa.
Para sobreviver você forjado como uma arma,
como uma flecha no meu arco, como uma pedra na minha funda.
Mas largar o tempo de retorno, e eu amo você.
Corpo de pele, de musgo, de leite ávido e firme.
Ah os vasos do peito! Oh os olhos de ausência!
Ah as rosas do púbis! Ah sua voz lenta e triste!
O corpo de minha mulher, persistem em tua graça.
Minha sede, minha fome se o limite de meu caminho indeciso!
Leitos escuros, onde a sede eterna segue,
e fadiga segue, ea dor infinita.

domingo, 13 de novembro de 2011

Puta de Drummond

Ó tu, sublime puta encanecida
Carlos Drummond de Andrade

Ó tu, sublime puta encanecida,
que me negas favores dispensados
em rubros tempos, quando nossa vida
eram vagina e fálus entrançados,
agora que estás velha e teus pecados
no rosto se revelam, de saída,
agora te recolhes aos selados
desertos da virtude carcomida.
E eu queria tão pouco desses peitos,
da garupa e da bunda que sorria
em alva aparição no canto escuro
Queria teus encantos já desfeitos
re-sentir ao império do mais puro
tesão, e da mais breve fantasia.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Inocências de Drummond



Continuando com as poesias simples e eróticas de drummond...


Mulher Andando Nua Pela Casa
Carlos Drummond de Andrade

Mulher andando nua pela casa
Envolve a gente de tanta paz
Não é nudez datada, provocante
É um andar vestida de nudez
Inocência de irmã e copo d'água
O corpo nem sequer é percebido
Pelo ritmo que o leva.
Transmitem curvas em estado de pureza,
Dando este nome à vida: Castidade
Pêlos que fascinam não perturbam.
Seios, nádegas (tácito armistício)
Repousam de gerra. Também eu repouso

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Amizade sem frescura!!!



A amizade consegue ser tão complexa...
Deixa uns desanimados, outros bem felizes...
É a alimentação dos fracos
É o reino dos fortes

Faz-nos cometer erros
Os fracos deixam se ir abaixo
Os fortes erguem sempre a cabeça
os assim assim assumem-os

Sem pensar conquistamos e reconquistamos
O mundo geral
e construimos o nosso pequeno lugar
deixando brilhar cada estrelinha

Estrelinhas...
Doces, sensiveis, frias, quentes, ternurentas...
Mas sempre presentes em qualquer parte ajudando para se ajudar
Os donos da Amizade...

Amizade sem frescura
Sem temor
Amigos comparecem nas horas de tédio
Nas horas de festa

Amigos compreendem quando não dá
Amigos combinam e não fofocam
Amizade não tem aspas
Não tem parenteses

A amizade flui e cresce
Com respeito e confiança
Amigo colabora
Não espera pedir

Amigos brilham como estrelas
Estrelas que iluminam uma noite
Que não ficam na conformidade de esperar
Amigos são amigos por serem presentes
E como presentes nunca estão ausentes....

Malthus Luppus

sábado, 5 de novembro de 2011

Uma Dama...



Adoro mulheres com iniciativa por isso achei um toque muito bom para esse sábado... aproveitem

Tenho saudades de uma dama
Carlos Drumonnd de Andrade

Tenho saudades de uma dama
como jamais houve na cama
outra igual, e mais terna amante.

Não era sequer provocante.
Provocada, como reagia!
São palavras só: quente, fria.

No banheiro nos enroscávamos.
Eram flamas no preto favo,
um guaiar, um matar-morrer.

Tenho saudades de uma dama
que me passeava na medula
e atomizava os pés da cama.


quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Aprendi!!!

Eu aprendi...
...que ignorar os fatos não os altera;

Eu aprendi...
...que quando você planeja se nivelar com alguém, apenas esta permitindo que essa pessoa continue a magoar você;

Eu aprendi...
...que o AMOR, e não o TEMPO, é que cura todas as feridas;

Eu aprendi...
...que ninguém é perfeito até que você se apaixone por essa pessoa;

Eu aprendi...
...que a vida é dura, mas eu sou mais ainda;

Eu aprendi...
...que as oportunidades nunca são perdidas; alguém vai aproveitar as que você perdeu.

Eu aprendi...
...que quando o ancoradouro se torna amargo a felicidade vai aportar em outro lugar;

Eu aprendi...
...que não posso escolher como me sinto, mas posso escolher o que fazer a respeito;

Eu aprendi...
...que todos querem viver no topo da montanha, mas toda felicidade e crescimento ocorre quando você esta escalando-a;

Eu aprendi...
...que quanto menos tempo tenho, mais coisas consigo fazer.
(Boa noite , Amor )William Shakespeare

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Poema Arte ... A Concha


Da concha
rubra
retiro
fluida
alva
tuas líquidas
sementes
que trago
entredentes

Na concha
rubra
mergulho
com a ponta
do arpão
que perturba
e escuta
teu íntimo
rumor

Na concha
rubra
busco
a pérola
úmida
ardente
que me faz
ser
quem sou
Ivan Miziara

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Quimera!!!


Quimera
By Malthus Luppus

És pra mim Quimera
Criatura pluriforme
Que habita as profundezas do meu coração
Que quando menos espero e penso que aqui já não está
Eis que te vejo de diferentes formas
Na flor da laranjeira, no cheiro que vento traz
Ainda me pergunto o que fazes enveredando meus sonhos
Que não me deixa sozinho a sonhar acordado
E deixa o toque de teu lábio e o cheiro de teus cabelos no ar
Impreguina meu ser com teus olhos e seios voluptuosos
Fico sem entender que mania essa de me olhar escondido me analisando
Pois quando é comigo teus olhos encontro junto aos meus
Me perco em devaneios a dividir atenção entre olhos e lábios
Mulher que para mim tem vários significados
Me aparece de mil maneiras
Enlouquecendo meus sentidos
Menina de olhar meigo que traz desejos de cuidar
Garota de pele ardente que traz lá de dentro desejos e devaneios
Mulher mãe que oferece colo e cafuné
Fantasma que habita meus sonhos e pesadelos
Deusa que de mim tem domínio
Flor que domina os ventos
Fogo que queima meus desejos
Ainda é teu olhar que me acalma
É teu corpo pluriforme que me vem saciar
Teus lábios inocentes e calientes que quero tocar
Teus olhos de criança e olhar de demônio
Tua mente simples e complicada
Maluca e sã que me enlouquece com o passar dos dias...
És tu Quimera do dia-à-dia
Tu que vens de manhã e molha os pés na primeira onda
Que abre seus braços e devagarinho se entrega aos 4 ventos
Que me parece ser feita dos quatro elementos
Que vi como flor desabrochar
Tú mulher de mil sentimentos
Deixa meus sonhos e vem te fazer real
Quero-te ainda mais do que ontem e ainda menos que amanhã
E a cada dia te prometo!
Dizer baixinho no teu ouvido...
Ainda te amarei quando acordares...

terça-feira, 25 de outubro de 2011

A boca por Drummond


Mimosa Boca Errante
Carlos Drummond de Andrade

Mimosa boca errante
à superfície até achar o ponto
em que te apraz colher o fruto em fogo
que não será comido mas fruído
até se lhe esgotar o sumo cálido
e ele deixar-te, ou o deixares, flácido,
mas rorejando a baba de delícias
que fruto e boca se permite, dádiva.

Boca mimosa e sábia,
impaciente de sugar e clausurar
inteiro, em ti, o talo rígido
mas varando de gozo ao confinar-se
no limitado espaço que ofereces
a seu volume e jato apaixonados
como podes tornar-te, assim aberta,
recurvo céu infindo e sepultura?

Mimosa boca e santa,
que devagar vais desfolhando a líquida
espuma do prazer em rito mudo,
lenta-lambente-lambilusamente
ligada à forma ereta qual se fossem
a boca o próprio fruto, e o fruto a boca,
oh chega, chega, chega de beber-me,
de matar-me, e, na morte, de viver-me.

Já sei a eternidade: é puro orgasmo.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

A Língua por drummond


A língua lambe
Carlos Drummond de Andrade

A língua lambe as pétalas vermelhas
da rosa pluriaberta; a lingua lavra
certo oculto botão, e vai tecendo
lépidas variações de leves ritmos.

E lambe, lambilonga, lambilenta.
a licorina gruta cabeluda,
e, quanto mais lambente, mais ativa
atinge o céu do céu, entre gemidos,
entre gritos, balidos e rugidos
de leões da floresta, enfurecidos.

Boa Semana Galera!!!

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Sexo!!!




Teu Corpo Claro e Perfeito


Teu corpo claro e perfeito
Teu corpo de maravilha
Quero possuí-lo no leito
Estreito da redondilha.
Teu corpo é tudo o que cheira
Rosa, flor de laranjeira.


Teu corpo, branco e macio
É como um véu de noivado
Teu corpo é pomo dourado
Rosal queimado do estio
Desfalecido em perfume
Teu corpo é a brasa do lume.


Teu corpo é chama e flameja
Como à tarde os horizontes
É puro como nas fontes
A água clara que serpeja
Quem em cantigas se derrama
Volúpia da água e da chama.


A todo o momento o vejo
Teu corpo a única ilha
No oceano do meu desejo.


Teu corpo é tudo o que brilha,
Teu corpo é tudo o que cheira
Rosa, flor de laranjeira.


Manuel Bandeira
Achei muito bacana e resolvi publicar...

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Poesia vai no sangue...


Vou-me embora pro passado

Jessier Quirino

"No rastro da Bandeira de Manuel"
Vou-me embora pro passado
Lá sou amigo do rei
Lá tem coisas "daqui, ó!"
Roy Rogers, Buc Jones
Rock Lane, Dóris Day
Vou-me embora pro passado.


Vou-me embora pro passado
Porque lá, é outro astral
Lá tem carros Vemaguet
Jeep Willes, Maverick
Tem Gordine, tem Buick
Tem Candango e tem Rural.


Lá dançarei Twist
Hully-Gully, Iê-iê-iê
Lá é uma brasa mora!
Só você vendo pra crê
Assistirei Rim Tim Tim
Ou mesmo Jinne é um Gênio
Vestirei calças de Nycron
Faroeste ou Durabem
Tecidos sanforizados
Tergal, Percal e Banlon
Verei lances de anágua
Combinação, califon
Escutarei Al Di Lá
Dominiqui Niqui Niqui
Me fartarei de Grapette
Na farra dos piqueniques
Vou-me embora pro passado.

No passado tem Jerônimo
Aquele Herói do Sertão
Tem Coronel Ludugero
Com Otrope em discussão
Tem passeio de Lambreta
De Vespa, de Berlineta
Marinete e Lotação.

Quando toca Pata Pata
Cantam a versão musical
"Tá Com a Pulga na Cueca"
E dançam a música sapeca
Ô Papa Hum Mau Mau
Tem a turma prafrentex
Cantando Banho de Lua
Tem bundeira e piniqueira
Dando sopa pela rua
Vou-me embora pro passado.

Vou-me embora pro passado
Que o passado é bom demais!
Lá tem meninas "quebrando"
Ao cruzar com um rapaz
Elas cheiram a Pó de Arroz
Da Cachemere Bouquet
Coty ou Royal Briar
Colocam Rouge e Laquê
English Lavanda Atkinsons
Ou Helena Rubinstein
Saem de saia plissada
Ou de vestido Tubinho
Com jeitinho encabulado
Flertando bem de fininho.

E lá no cinema Rex
Se vê broto a namorar
De mão dada com o guri
Com vestido de organdi
Com gola de tafetá.

Os homens lá do passado
Só andam tudo tinindo
De linho Diagonal
Camisas Lunfor, a tal
Sapato Clark de cromo
Ou Passo-Doble esportivo
Ou Fox do bico fino
De camisas Volta ao Mundo
Caneta Shafers no bolso
Ou Parker 51
Só cheirando a Áqua Velva
A sabonete Gessy
Ou Lifebouy, Eucalol
E junto com o espelhinho
Pente Pantera ou Flamengo
E uma trunfinha no quengo
Cintilante como o sol.

Vou-me embora pro passado
Lá tem tudo que há de bom!
Os mais velhos inda usam
Sapatos branco e marrom
E chapéu de aba larga
Ramenzone ou Cury Luxo
Ouvindo Besame Mucho
Solfejando a meio tom.

No passado é outra história!
Outra civilização...
Tem Alvarenga e Ranchinho
Tem Jararaca e Ratinho
Aprontando a gozação
Tem assustado à Vermuth
Ao som de Valdir Calmon
Tem Long-Play da Mocambo
Mas Rosenblit é o bom
Tem Albertinho Limonta
Tem também Mamãe Dolores
Marcelino Pão e Vinho
Tem Bat Masterson, tem Lesse
Túnel do Tempo, tem Zorro
Não se vê tantos horrores.

Lá no passado tem corso
Lança perfume Rodouro
Geladeira Kelvinator
Tem rádio com olho mágico
ABC a voz de ouro
Se ouve Carlos Galhardo
Em Audições Musicais
Piano ao cair da tarde
Cancioneiro de Sucesso
Tem também Repórter Esso
Com notícias atuais.

Tem petisqueiro e bufê
Junto à mesa de jantar
Tem bisqüit e bibelô
Tem louça de toda cor
Bule de ágata, alguidar
Se brinca de cabra cega
De drama, de garrafão
Camoniboi, balinheira
De rolimã na ladeira
De rasteira e de pinhão.

Lá, também tem radiola
De madeira e baquelita
Lá se faz caligrafia
Pra modelar a escrita
Se estuda a tabuada
De Teobaldo Miranda
Ou na Cartilha do Povo
Lendo Vovô Viu o Ovo
E a palmatória é quem manda.

Tem na revista O Cruzeiro
A beleza feminina
Tem misse botando banca
Com seu maiô de elanca
O famoso Catalina
Tem cigarros Yolanda
Continental e Astória
Tem o Conga Sete Vidas
Tem brilhantina Glostora
Escovas Tek, Frisante
Relógio Eterna Matic
Com 24 rubis
Pontual a toda hora.

Se ouve página sonora
Na voz de Ângela Maria
"— Será que sou feia?
— Não é não senhor!
— Então eu sou linda?
— Você é um amor!..."

Quando não querem a paquera
Mulheres falam: "Passando,
Que é pra não enganchar!"
"Achou ruim dê um jeitim!"
"Pise na flor e amasse!"
E AI e POFE! e quizila
Mas o homem não cochila
Passa o pano com o olhar
Se ela toma Postafen
Que é pra bunda aumentar
Ele empina o polegar
Faz sinal de "tudo X"
E sai dizendo "Ô Maré!
Todo boy, mancando o pé
Insistindo em conquistar.

No passado tem remédio
Pra quando se precisar
Lá tem Doutor de família
Que tem prazer de curar
Lá tem Água Rubinat
Mel Poejo e Asmapan
Bromil e Capivarol
Arnica, Phimatosan
Regulador Xavier
Tem Saúde da Mulher
Tem Aguardente Alemã
Tem também Capiloton
Pentid e Terebentina
Xarope de Limão Brabo
Pílulas de Vida do Dr. Ross
Tem também aqui pra nós
Uma tal Robusterina
A saúde feminina.

Vou-me embora pro passado
Pra não viver sufocado
Pra não morrer poluído
Pra não morar enjaulado
Lá não se vê violência
Nem droga nem tanto mau
Não se vê tanto barulho
Nem asfalto nem entulho
No passado é outro astral
Se eu tiver qualquer saudade
Escreverei pro presente
E quando eu estiver cansado
Da jornada, do batente
Terei uma cama Patente
Daquelas do selo azul
Num quarto calmo e seguro
Onde ali descansarei
Lá sou amigo do rei
Lá, tem muito mais futuro
Vou-me embora pro passado

Poesias Saudosas...


Vou-me Embora pra Pasárgada
Manuel Bandeira

Vou-me embora pra Pasárgada

Lá sou amigo do rei

Lá tenho a mulher que eu quero

Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada

Aqui eu não sou feliz

Lá a existência é uma aventura

De tal modo inconseqüente

Que Joana a Louca de Espanha

Rainha e falsa demente

Vem a ser contraparente


Da nora que nunca tive

E como farei ginástica

Andarei de bicicleta

Montarei em burro brabo

Subirei no pau-de-sebo

Tomarei banhos de mar!

E quando estiver cansado

Deito na beira do rio

Mando chamar a mãe-d'água

Pra me contar as histórias

Que no tempo de eu menino

Rosa vinha me contar


Vou-me embora pra Pasárgada

Em Pasárgada tem tudo

É outra civilização

Tem um processo seguro

De impedir a concepção

Tem telefone automático

Tem alcalóide à vontade

Tem prostitutas bonitas

Para a gente namorar

E quando eu estiver mais triste

Mas triste de não ter jeito

Quando de noite me der

Vontade de me matar

— Lá sou amigo do rei —

Terei a mulher que eu quero

Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada.

Texto extraído do livro "
Bandeira a Vida Inteira", Editora Alumbramento – Rio de Janeiro, 1986, pág. 90

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Peculiaridas, que mau há em observar?

Andando pelas ruas você pode observar... decotes e coxas por ai. E claro pode-se ver cada coisa que é...uma delícia. Você acaba na vontade daquela pele macia, aquele cheirinho doce d toque delicado que atiça a imaginação, mordiscar, beijar...entre outras ações do jeito perfeito e lugar ainda mais...exato...
Vendo tantas perfeições no dia-à-dia, cada uma com suas peculiaridades, podemos enumerar, e isso depende das preferências de cada um claro, quais dessas peculiaridades nos atrai mais, seja em mulheres ou homens...bem eu prefiro as mulheres, eas mulheres tem várias peculiaridades, que vai desde seu humor, passando pelo seu modo de vestir, gostos e sabores...até chegar ao corpo, que encixando várias descrições ainda acho as gordinhas muito bonitas (não todas claro)... O mais interessante de tudo isso é que algumas mulheres se sentem incomodadas quando algumas pessoas olhas seu decotes, pernas a amostra, entre outras coisas interessantes que as mesmas mostram mas não querem que se veja....
Dentre as caracteristicas adoradas pelos homens encontra-se a razão de um poema de Carlos Drummond de Andrade.. que cito abaixo...

 
A bunda, que engraçada
Carlos Drumond de Andrade
A bunda, que engraçada.
Está sempre sorrindo, nunca é trágica.

Não lhe importa o que vai
pela frente do corpo. A bunda basta-se.
Existe algo mais? Talvez os seios.
Ora - murmura a bunda - esses garotos
ainda lhes falta muito que estudar.

A bunda são duas luas gêmeas
em rotundo meneio. Anda por si
na cadência mimosa, no milagre
de ser duas em uma, plenamente.

A bunda se diverte
por conta própria. E ama.
Na cama agita-se. Montanhas
avolumam-se, descem. Ondas batendo
numa praia infinita.

Lá vai sorrindo a bunda. Vai feliz
na carícia de ser e balançar
Esferas harmoniosas sobre o caos.

A bunda é a bunda
redunda.