quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Amar e não Amar de Neruda



Pablo Neruda

SAIBAS que não te amo e que te amo
feito de que dos dois modos é a vida,
a palavra é uma ala do silêncio,
o fogo tem uma metade de frio.
Eu te amo para começar a amar-te,
para recomeçar o infinito
e para não desejar amar-te nunca:
por isto não te amo todavia.
Te amo e não te amo como se tivera
em minhas mãos as chaves da fortuna
e um incerto destino infeliz.
Meu amor tem duas vidas para amar-te.
Por isso te amo quando não te amo
e por isso te amo quando te amo.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Pecado





Pecado

Pecado é provocar desejo
E sem o mínimo bocejo
Renunciar
Dai fico eu aqui errante
Queimando meu semblante
Sem nada entender
Para você simplesmente me dizer
É complicado
Tem jeito não
Fico eu aqui na mão
A desejar um único beijo
Com meu corpo ao seu procurar
Sê-de bela em meus braços
Tira esse embaraço que há entre nós

A realidade é o que fazemos de nós mesmos
Sê-de estrela e ilumina meus sonhos
Tu que me visitas e desnorteia meu pensamento
Me enlouquece e me faz compreender
Que a pesar de nos meus braços não te ter

Agora posso ver mais claramente
Que a noite mais densa
Já não assusta mais
Que no dia mais claro de meus sonhos
Ainda possa contigo conversar
Que ainda possamos olhares trocar
Sendo assim entender como tudo está
Ainda é pecado provocar desejo
E depois renunciar
Mas quando antes de ir retornar com um beijo
Vem a esperança com tudo por começar.

By Malthus Luppus

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Sejamos Poetas

Sejamos Poetas
Malthus Luppus

A poesia é algo que consome a mente humana
Cresce e consome o coração da mais triste puta
A poesia não tem idade, sexo, cor ou raça
a poesia simplesmente é
O mal do século é solidão
Onde cada um de nós está imerso em sua própria arrogância
A poesia vem e vai, alegra e cresce em cada mente
A solidão na poesia apenas é retratada e modificada
A dor, o amor, o ódio, a vida e a morte
Toda cheia de Som e Fúria
Para o deleite da alma e do espirito
No corpo de cada mensagem encontrada no sorriso de uma criança
No olhar de gueixa
No sangue do corajoso
Na sabedoria dos antigos
A poesia não se resume
Apenas é
Então sejamos fluidos como água
Forte como a rocha
Sejamos crentes no fé
Sejamos sempre nós
E em nossos olhos a verdade
Em nossos corações a fé
E em nossa mente a luz
Sejamos poetas
De corpo e alma
Vivamos cada dia com se o próximo já pudesse mais existir
Sejamos cheios de amor e simplicidade
Sejamos poesia e vida
Sejamos poeta

By Malthus Luppus

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Music, la musique, μουσική



Música é algo deveras importante nas nossas vidas, eu pessoalmente tenho meus gostos, Rock, Clássica, Rock POP, entre outras coisas audíveis. Contudo definir música hoje em dia é algo complicado, com a diversidade de ritmos que temos no Brasil e no Mundo inteiro contudo vamos tentar alguma coisa. 
Definir a música não é tarefa fácil porque apesar de ser intuitivamente conhecida por qualquer pessoa, é difícil encontrar um conceito que abarque todos os significados dessa prática. Mais do que qualquer outra manifestação humana, a música contém e manipula o som e o organiza no tempo. Talvez por essa razão ela esteja sempre fugindo a qualquer definição, pois ao buscá-la, a música já se modificou, já evoluiu. E esse jogo do tempo é simultaneamente físico e emocional. Como "arte do efêmero", A música torna-se impossível de ser completamente conhecida e portanto de ser enquadrada em um conceito mais simples ou simplório.
Definir a música como forma de linguagem é algo não muito complexo pois utilizamos a voz como instrumento para a comunicação, não só nós humanos mas os animais e insetos também o fazem, de forma a expressar algo ou alguma coisa à alguém.
Um dos poucos consensos sobre a música, consiste em uma combinação de sons e de silêncios, numa sequência simultânea ou em sequências sucessivas e simultâneas que se desenvolvem ao longo tempo. Neste sentido, reúne todos os elementos sonoros que podem ser percebidos pela audição, incluindo variações nas características de cada som, como altura ou intensidade, que ocorrendo de forma sequencial temos ritmo e melodia, e ainda de forma simultânea ou harmônica. Ritmo, harmonia e melodia são entendidos com uma organização temporal, a música em sí contem de forma proposital ruidos e ausência de ritmo em alguns trechos.
A apresentação da música pode ser de forma apreciativa, como se estivéssemos contemplando a natureza e todos os seus sons, pois muitas vezes tentamos imitar essa grande mestre. A qualidade da música é apreciada de várias formas desdas clássicas (Beethoveen) até músicas mais pesadas (Heavy Metal). Em todo tipo de crença podemos encontrar a música, em rituais por exemplo, relacionada a sexo, desejo, vida, morte e diversos tipos de manifestação, humana ou não, a música faz parte da nossa vida e do nosso cotidiano, portanto temos que apreciar de forma individual ou coletiva sempre respeitando o gosto do próximo.

By Malthus Luppus


segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Viver do Amor by Chico Buarque...


Viver do Amor
Chico Buarque

Pra se viver do amor
Há que esquecer o amor
Há que se amar
Sem amar
Sem prazer
E com despertador
- como um funcionário

Há que penar no amor
Pra se ganhar no amor
Há que apanhar
E sangrar
E suar
Como um trabalhador

Ai, o amor
Jamais foi um sonho
O amor, eu bem sei
Já provei
E é um veneno medonho

É por isso que se há de entender
Que o amor não é um ócio
E compreender
Que o amor não é um vício
O amor é sacrifício
O amor é sacerdócio
Amar
É iluminar a dor
- como um missionário

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Dias Quentes


Um dia quente
Mais um dia quente
Para onde foram os dias de chuva
Aqueles dias nublados e frios
Que nos trazem a lembrança da infância
Daqueles dias que correndo pelas ruas procurávamos  uma "biqueira"
Ê saudade da infância onde tudo era mais simples
Que nesses dias de calor, assim logo após o almoço
Traz aquela preguiça
Vontade de dormir eu e aqui a trabalhar
E nesses dias quentes
Tudo que tenho vontade
É daquela redinha na varanda
Com a parede perto para balançar com o pé
Esses dias quentes
Dias que tudo fica mais lento
A paciência mais curta
Os olhos mais cansados
Ar condicionado não ajuda
Banhos só se forem daqueles bem friozinhos
Para refrescar a cuca e o corpo
E nos dias de ressaca uma picininha de pé pra melhorar
Nesses dias quentes
Só dá vontade de hibernar
Espantar a dor de cabeça e no parque ir brincar
Vida que vida ainda tenho de trabalhar....
E com a chuva só sonhar...


quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Pessoas por Fernando Pessoa



Fernando Pessoa

Como é por dentro outra pessoa
Quem é que o saberá sonhar?
A alma de outrem é outro universo
Com que não há comunicação possível,

Com que não há verdadeiro entendimento.
Nada sabemos da alma
Senão da nossa;
As dos outros são olhares,
São gestos, são palavras,
Com a suposição de qualquer semelhança
No fundo.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Poemas de Neruda,,,


MELISANDA
Pablo Neruda

Seu corpo é uma hóstia fina, mínima e leve,
Tem os azuis dos olhos e as mãos da neve.
E o bosque das arvores parecem-se congelados,
E os pássaros que estão neles estão cansados.
Suas tranças ruivas tocam a água docemente
Como dos braços de ouro brotados da fonte.
Zumbe o vôo perdido das corujas cegas
Melisanda se põem de joelhos - e reza.
As árvores se inclinam até tocar a sua frente,
Os pássaros se mudam na tarde dolente.
Melisanda, a doce, chora junto à fonte.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Cuerpo de Mujer - By Neruda


Cuerpo de mujer...
Pablo Neruda

Cuerpo de mujer, blancas colinas, muslos blancos,
te pareces al mundo en tu actitud de entrega.
Mi cuerpo de labriego salvaje te socava
y hace saltar el hijo del fondo de la tierra.
Fui solo como un túnel. De mí huían los pájaros
y en mí la noche entraba su invasión poderosa.
Para sobrevivirme te forjé como un arma,
como una flecha en mi arco, como una piedra en mi honda.
Pero cae la hora de la venganza, y te amo.
Cuerpo de piel, de musgo, de leche ávida y firme.
¡Ah los vasos del pecho! ¡Ah los ojos de ausencia!
¡Ah las rosas del pubis! ¡Ah tu voz lenta y triste!
Cuerpo de mujer mía, persistiré en tu gracia.
Mi sed, mi ansia si límite, mi camino indeciso!
Oscuros cauces donde la sed eterna sigue,
y la fatiga sigue, y el dolor infinito.

Traduzindo para os que assim preferem!!! #Gostopratudo

Corpo de Mulher
Pablo Neruda

Corpo de mulher, brancas colinas, coxas brancas,
você olha o mundo em sua atitude de rendição.
Meu corpo camponês selvagem minará
e faz saltar o filho das profundezas da terra.
Eu era como um túnel. Pássaros fogem de mim
e em mim a noite entrava com sua invasão poderosa.
Para sobreviver você forjado como uma arma,
como uma flecha no meu arco, como uma pedra na minha funda.
Mas largar o tempo de retorno, e eu amo você.
Corpo de pele, de musgo, de leite ávido e firme.
Ah os vasos do peito! Oh os olhos de ausência!
Ah as rosas do púbis! Ah sua voz lenta e triste!
O corpo de minha mulher, persistem em tua graça.
Minha sede, minha fome se o limite de meu caminho indeciso!
Leitos escuros, onde a sede eterna segue,
e fadiga segue, ea dor infinita.

domingo, 13 de novembro de 2011

Puta de Drummond

Ó tu, sublime puta encanecida
Carlos Drummond de Andrade

Ó tu, sublime puta encanecida,
que me negas favores dispensados
em rubros tempos, quando nossa vida
eram vagina e fálus entrançados,
agora que estás velha e teus pecados
no rosto se revelam, de saída,
agora te recolhes aos selados
desertos da virtude carcomida.
E eu queria tão pouco desses peitos,
da garupa e da bunda que sorria
em alva aparição no canto escuro
Queria teus encantos já desfeitos
re-sentir ao império do mais puro
tesão, e da mais breve fantasia.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011